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SOCIEDADE: Portugal tem mais pessoas a viver sozinhas e menos famílias numerosas do que há 30 anos

Publicada em: 18/06/2026 23:17 -

As pessoas a viver sozinhas cresceram 53% em Portugal, enquanto os agregados familiares compostos por cinco ou mais pessoas, as chamadas famílias numerosas, diminuíram 70% nos últimos trinta anos.

Os dados são do estudo “Agregados familiares em transformação em Espanha e Portugal”, promovido pelo Observatório Social da Fundação ”la Caixa”, em colaboração com o Centre d’Estudis Demogràfics, que analisa a evolução dos agregados familiares entre 1991 e 2022.

Nas últimas três décadas, os agregados familiares portugueses sofreram uma transformação profunda, marcada pela redução do número de pessoas por agregado e pela diminuição das famílias numerosas, ao mesmo tempo que cresce o número de pessoas a viver sozinhas.

O estudo foi desenvolvido pelos investigadores Albert Esteve, Juan Galeano e Jesús García, do Centre d’Estudis Demogràfics, com base em dados do Inquérito à População Ativa entre 1991 e 2022.

Mais população, menos pessoas por agregado

Nas últimas três décadas, a população portuguesa aumentou 4,4%, enquanto o número total de agregados familiares cresceu 25,9%, atingindo os 4,11 milhões.

Contudo, o aumento do número de agregados não resultou apenas do crescimento da população, mas sobretudo da redução da dimensão média dos agregados familiares.

Entre 1991 e 2022, a dimensão média dos agregados familiares em Portugal passou de 3,1 para 2,5 pessoas. Segundo o estudo, 85% do crescimento do número total de agregados familiares em Portugal é explicado precisamente por esta redução da dimensão média.

Como se observa no gráfico seguinte, esta transformação resulta sobretudo do crescimento dos agregados unipessoais e da redução progressiva das famílias numerosas.

Ao mesmo tempo, os agregados compostos por duas pessoas consolidaram-se como a estrutura mais frequente em Portugal.

Sul Informação

Tipologia dos agregados familiares

Além da dimensão dos agregados, os investigadores analisaram também a evolução das estruturas de convivência em Portugal, concluindo que a redução da dimensão dos agregados familiares resulta de três tendências principais: o envelhecimento da população, a redução da natalidade e o aumento das separações e divórcios.

“Portugal está a tornar-se um país de agregados familiares mais pequenos e mais individualizados. Esta transformação resulta do envelhecimento da população, das mudanças nos modelos familiares e das dificuldades de emancipação dos mais jovens”, afirma Albert Esteve, investigador do Centre d’Estudis Demogràfics.

 

Convivência e ciclos de vida

O estudo compara também as diferentes estruturas de convivência ao longo das várias etapas da vida, distinguindo os agregados não familiares das estruturas familiares. 

Tal como demonstra o gráfico seguinte, os indivíduos passam, em média, menos anos a viver com ambos os progenitores e menos anos a viver com filhos, ao mesmo tempo que aumenta o número de anos vividos sozinho, sobretudo nas idades mais avançadas.

Os investigadores identificam igualmente um prolongamento da permanência dos jovens em casa dos pais, associado ao adiamento da emancipação e às dificuldades de acesso à habitação, num contexto marcado pelo aumento do custo de vida e pela crescente pressão sobre o mercado habitacional. 

As diferenças entre homens e mulheres tornam-se mais evidentes nas fases mais avançadas da vida. As mulheres apresentam uma maior incidência de vida em agregados unipessoais, fenómeno associado à maior longevidade feminina e à viuvez.

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Mais anos a viver sozinho

Entre 1991 e 2022, o número médio de anos vividos sozinho aumentou de 4,2 para 5,8 anos em Portugal.

Como mostra o gráfico seguinte, o estudo identifica ainda uma redução do tempo de convivência em famílias alargadas e um aumento das estruturas monoparentais durante a infância.

Segundo os investigadores, estas transformações têm impacto direto nas necessidades habitacionais, na procura de serviços sociais e nas redes informais de cuidado, sobretudo num contexto de envelhecimento da população.

A redução da coabitação intergeracional e das famílias alargadas poderá aumentar a necessidade de apoio público e de respostas sociais dirigidas à população mais envelhecida.

Sul Informação

FONTE: SUL INFORMAÇÃO

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