ECONOMIA: Empresas querem expandir área de exploração experimental de minerais no Alentejo
Dois pedidos de atribuição de direitos de exploração experimental de depósitos minerais em cinco concelhos do distrito de Beja, apresentados pelas empresas Almina e Somincor, que preveem investir pelo menos 7,9 milhões de euros nas suas intervenções, estão a ser alvo de discussão pública no site Participa.pt desde esta segunda-feira, dia 20 de Abril.
A Almina – Minas do Alentejo pretende realizar «trabalhos no âmbito da exploração experimental de depósitos minerais de ouro, prata, cobre, chumbo, zinco, estanho e metais associados», na área denominada de “Albernôa”.
Trata-se de uma área com 237.635 km2, nos concelhos de Aljustrel, Beja, Castro Verde e Mértola, lê-se nos documentos disponíveis naquele site, e consultados pelo Sul Informação.
Este pedido «é efetuado no seguimento de duas descobertas que intersetaram zonas de sulfuretos maciços», ocorridas no setor do Azinhal e no setor da Malhadinha de Torres.
Justifica-se assim «a continuação dos trabalhos neste setor, de forma a validar todo o seu potencial geológico e mineiro», acrescenta a empresa que tem sede em Aljustrel.
O polígono de Albernoa foi alvo de sucessivas campanhas de prospeção e pesquisa que resultaram «num conjunto relativamente alargado de informação geológica, geofísica e geoquímica», permitindo «a reavaliação de dados com objetivo de definir novos alvos».
«Na área de Albernoa, o potencial para novas ocorrências de minerais metálicos com interesse económico é bastante elevado, como confirmado pelas duas descobertas acima mencionadas (Azinhal e Torres). O contexto geológico em que essas descobertas ocorreram é distinto, mas em ambas foi possível identificar o horizonte mineralizante (…). Assim, continua a existir um enorme potencial para novas descobertas e ocorrências nesta área», reforça a Almina.
Os trabalhos propostos incluem a execução de sondagens carotadas, perfazendo um mínimo de 25.000 metros; a caracterização geológica, geofísica, geoquímica e geotécnica; o reprocessamentos de dados geofísicos; a redefinição do modelo geológico nos setores do Roxo e Píncaros.
O orçamento mínimo proposto para a realização destes trabalhos, nos três primeiros anos, é de 6,9 milhões de euros e, em caso de prorrogação por mais dois anos, de acordo com os resultados obtidos na primeira fase, serão gastos mais 2,3 milhões.
A Somincor – Sociedade Mineira de Neves-Corvo apresentou, por seu turno, um pedido de atribuição de direitos de exploração experimental de depósitos minerais metálicos de cobre, zinco, chumbo, estanho, prata, ouro e outros metais associados, na área designada “Neves”.
Está em causa uma área de 72,66 km2, situada nos concelhos de Castro Verde, Almodôvar e Mértola, «envolvendo o couto mineiro de Neves-Corvo», onde já explora atualmente minérios de sulfuretos maciços e stockworks associados a rochas CVS e PQ, produzindo concentrados ricos em cobre, zinco e chumbo.
«A região indicada pela Somincor apresenta um elevado potencial mineiro», lê-se nos documentos disponíveis no Participa.
O plano de trabalhos da empresa prevê a análise integrada e reinterpretação de dados geofísicos; o reprocessamento de dados sísmicos 3D de elevada resolução; o reprocessamento de dados eletromagnéticos obtidos em levantamentos terrestres; a modelação 3D das estruturas geológicas e tectónicas; e a hierarquização de alvos e seleção de setores a investigar por sondagens mecânicas.
«Serão efetuados 5.000 metros de perfuração ao longo de três anos de atividade», lê-se no parecer do Laboratório Nacional de Energia e Geologia.
Está previsto um investimento de 1 milhão de euros para um período inicial de três anos.
O período de participação pública dos dois processos decorre durante 30 dias úteis, entre 20 de Abril e 1 de Junho, no portal Participa. Os interessados podem consultar os documentos naquele site ou no site da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG).
As duas empresas vão promover, «pelo menos, uma sessão pública de esclarecimento», nos municípios e freguesias abrangidas, dirigidas à população local, segundo os editais da DGEG.
FONTE: SUL INFORMAÇÃO ALENTEJO

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